
Viana do Castelo foi o palco de um momento histórico para o desporto adaptado nacional com a realização do I Encontro Nacional de InVolei. O evento, que decorreu no Centro Cultural da cidade, sob a égide da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV), reuniu mais de seis dezenas de participantes e marcou o início de uma nova era para a inclusão através do desporto, unindo delegações da APPACDM de Viana do Castelo e da APPACDM da Trofa.
O crescimento exponencial da modalidade é um dos dados mais impressionantes deste projecto. Em apenas alguns meses, o número de praticantes disparou graças à flexibilidade das regras.
Pedro Fornelos, Secretário da Direção da APPACDM de Viana do Castelo, explicou que as pequenas adaptações permitiram aumentar a participação de forma drástica: “Nós, com isso, conseguimos abrir muito o leque de participantes. Em vez de termos só 2, 3, 4, 5 atletas que conseguissem praticar o Voleibol regular, passámos a ter um grupo de 50, que já conseguem praticar, e hoje vimos aqui assim neste evento, mais ou menos 60 pessoas em jogo”.
Para o município anfitrião, o evento reforça o compromisso com a promoção da saúde e a vitalidade associativa.
Ricardo Rego, Vereador do Desporto de Viana do Castelo, sublinhou o impacto social da iniciativa: “É extremamente importante para o município receber este tipo de eventos que promovem o desporto adaptado, até porque temos aqui uma série de valências dedicadas às pessoas com deficiência e, de alguma forma, trazê-las para o desporto e fazê-las incluir no desporto é extremamente importante. O desporto é para todos e deve estar com todos”.
A Federação Portuguesa de Voleibol vê no InVolei uma solução para lacunas antigas no desporto adaptado.
Leonel Salgueiro, Director Técnico Nacional, destacou a importância de olhar para além do rendimento paralímpico tradicional: “O inVolei está numa fase de início e, portanto, estamos a promovê-lo e a divulgá-lo. O primeiro objectivo é massificá-lo, para de alguma forma dar oportunidade a todas as pessoas que são portadoras de deficiência intelectual. Pelo que todos puderam ver aqui, os atletas de InVolei conseguem jogar, conseguem-se divertir e isso é que é o mais importante, pois o Voleibol não é só competição”.
O responsável acrescentou ainda que, após dificuldades em implementar o Voleibol Sentado por falta de praticantes, o InVolei está a ser levado a bom porto.
No campo, a evolução técnica e emocional dos atletas foi notória.
Paulo Santos, terapeuta e um dos responsáveis pela adaptação das regras, recordou o início do percurso: “No início, eles viam no InVolei um desafio complicado, porque o Voleibol é muito específico. Com estas adaptações, foi possível eles jogarem. Preparámos bem a modalidade e agora eles tiveram uma evolução enorme e são extremamente competitivos”.
O técnico reforçou que a modalidade permite que, apesar das diferentes limitações, os atletas consigam interagir e formar equipas sólidas.
A experiência foi vivida intensamente pelos protagonistas. Os atletas João Fernandes e Rui Leitão mostraram-se radiantes com a oportunidade: “O melhor do dia de hoje foi podermos jogar Voleibol. E o convívio de todas as equipas. Estas actividades são muito importantes já que podemos jogar mais e fazê-lo juntos numa equipa, pois gostamos muito de jogar em equipa”.
O InVolei afirma-se assim como uma ferramenta vital de integração, cultivando valores cívicos e aumentando a qualidade de vida. Com a FPV a planear o alargamento do projeto em 2025 através de encontros locais e regionais, o futuro da modalidade parece garantido.
Leonel Salgueiro alertou para o facto de “o desporto adaptado em Portugal ser visto muitas das vezes numa perspectiva muito de rendimento, daquilo que são as modalidades paraolímpicas, mas esquecem-se um bocado das outras pessoas que não conseguem jogá-lo”. Assim, e como concluiu Pedro Fornelos, o I Encontro Nacional de InVolei acaba por se tornar um marco de superação:
“Viu-se equipas que não venceram a festejar com as equipas que venceram. Portanto, todos estiveram muito contentes porque todos sentiram que estão a competir, estão em prova, e no final todos levaram medalhas”.
Tendo como principal objectivo integrar social e desportivamente pessoas com deficiência ou com incapacidade, o InVolei promove a igualdade de oportunidades de participação activa e de intervenção de todos os cidadãos, possibilitando a ocupação dos tempos livres através da prática de uma modalidade colectiva que cultiva os valores cívicos, aumentando os níveis de integração psíquica e social, bem como da qualidade de vida.
Nesse sentido, urge integrar o InVolei como actividade regular e competitiva, possibilitando assim o surgimento de um novo enquadramento no movimento associativo e agilizando o processo de interacção entre as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e Organizações Não-Governamentais das Pessoas com Deficiência (ONGPD) e a Federação Portuguesa de Voleibol (FPV).
A Federação Portuguesa de Voleibol irá desenvolver este projecto ao longo de 2025, iniciando a parte competitiva com a organização de encontros locais e regionais. Ver mais informações AQUI
Regulamento Básico
. Campeonato de InVolei – formado por equipas até 6 elementos e com 4 jogadores em campo;
. Dimensões do campo: 12m x 6m;
. Todos os atletas em campo têm de ser portadores de deficiência intelectual, devidamente comprovada por declaração médica.
. Os jogos serão disputados à melhor de 3 ou 5 sets, dependendo do formato da competição.
Quem se pode candidatar/inscrever?
• Autarquias;
• Escolas;
• Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS); Organizações Não-Governamentais das Pessoas com Deficiência (ONGPD);
• Estruturas desportivas e culturais;
• Organizações dotadas de estatuto jurídico.
Como se pode candidatar?
Através do preenchimento da ficha de candidatura e do seu posterior envio para a Federação através do email paravolei@federacaoportuguesavoleibol.pt
